Seria este o fim de José Sarney???
Como dizia a antiga propaganda do governo federal “Eu sou brasileiro e não desisto nunca”, eu durante um tempo nunca desisti de pensar na política nacional sem o Sarney por trás dela. Pois numa jogada típica de primeiro de abril, ou seu equivalente próximo e recente o 25 de junho, data do falecimento do MJ, que Sarney nunca ficaria em cima de uma corda bamba, com o sério risco de ser processado por seus pares (está bem, eu acredito em Papai Noel!).
Como em reviravolta de “final de novela das 8”, a mar não está para Sarney, desde meados de junho, a grande imprensa brasileira (ou como o PHA a chama PIG), está incessantemente no pé do nobre senador, pois ele indicou durante uma das suas muitas presidências do senado, um dos diretores nomeados por ele, Agaciel Maia (e que fique bem claro, ele e os chamados atos secretos, são subordinados ao DEM), foi pego em flagrante de corrupção ao descobrir-se a posse de um apartamento milionário.
Pois após uma “investigação minuciosa” da mídia (esse não seria o papel do Ministério Público?), descobriu-se que essa grana, assim como a de vários outros diretores, funcionários subordinados e coisa do tipo, eram provenientes de atos secretos, atos que não seriam divulgados pois colocariam em risco à segurança nacional ao expor os meandros de funcionamento do Senado.
Desde esse escândalo, a mídia tem ficado no pé de Sarney como nunca em toda a história do país, para aqueles que acreditam em teoria da conspiração (que nesse caso é a pura verdade, só falta confissão para grampos falsos), Sarney só está sendo queimado vivo, pois sua queda permitiria à José Serra e seu partido nazis...(desculpa força do hábito), PSDB, ganhar duas batalhas, a primeira seria a de finalmente instaurar a famigerada CPI da Petrobras, que segundo o mais prolixo do tucanos, promete não deixar pedra sobre pedra do governo Lula. O segundo obviamente é tentar enfraquecer lideres do PMDB que são a favor de uma aliança entre PT e PMDB, para que lideranças que desejam aliança com o PSDB, como um tal de Orestes Quércia (vulgo cara de cavalo).
Se Sarney irá finalmente cair, e ver seu poder político definhar, não é meu papel dizer, o que dá para pensar é que infelizmente devido ao seu peso político (é ser Rei do Maranhão e príncipe regente do Amapá, não é para qualquer um), farão com ele o mesmo que foi feito com Renan Calheiros, retira-lo da presidência, colocar um senador tampão, e preservar de certa forma o poder dele.
Ou então, numa opção radical, a grande mídia consegue derrubá-lo, mas fica a dúvida se com sua queda a CPI da Petrobras será instaurada, e se uma vez instaurada ela vai ser o apocalipse petista ou não.
O que me parece é que na Guerra de 2010, o PSDB está disposto à tudo, até a tentar cortar da sua própria carne (elite sempre ajuda elite, e José Sarney, nada mais é do que elite), para tentar evitar algo que o ex-PFL viveu em 2006 e perder algumas vagas de senadores, devido à desgaste político de alguma de suas figuras como Artur Virgílio (depois do discurso de terça feira passada, e do episódio em que ele subiu em cima da mesa, nenhum ser que saiba ler no Amazonas votará nele), e outros notórios senadores da região Norte.
Talvez seja a popularidade de Lula batendo os 85%, e que provavelmente mina qualquer um que bata nele (é impressão minha ou o número de exemplares vendidos pela grande mídia tem caído?), talvez seja a crise perdendo cada vez mais o fôlego internamente (enquanto que no resto do mundo ela ainda mina a economia mundial), é difícil dizer o que está levando o PSDB a tamanho desespero. A tentativa incessante de derrubar Sarney pode até se virar contra ele, e minar a popularidade tucana.
Partir para medidas drásticas, leva a resultados drásticos, a política como a conhecemos demanda pragmatismo sempre, evitando todo e qualquer radicalismo. Política partidária de democracias representativas demanda cuidado e zelo ao tratar com o eleitorado, que historicamente tende a fugir desses radicalismos, e aprovar o pragmatismo. O eleitorado nacional, principalmente do nordeste e do norte, assim como todos aqueles de baixa renda, que viram seu poder aquisitivo aumentar, pelo crescimento econômico, tende a votar nos candidatos que defendam essa nova posição, e não em um que já teve a chance, mas jogou ela fora em nome de benefícios econômicos, e exigências de grande potencias.
Apesar de toda a visibilidade que José Serra possui, essa estratégia de tentar minar essa revolução que o governo Lula permitiu a redistribuir uma parte da renda do governo com a população mais desfavorecida, e de defender a visão, e ideologia de uma elite que domina o país há séculos, pode no final acabar permitindo a eleição da primeira mulher presidente do Brasil, tornando Lula o primeiro presidente brasileiro a eleger o seu sucessor.
João Vicente Nascimento Lins 04/07/2009
Obs: créditos dos links:
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/
http://brasiliaeuvi.wordpress.com/
http://pedrodoria.com.br/http://noticias.uol.com.br/escandalos-congresso/ (embora este eu não recomende, afinal é oriundo da grande mídia, ou seja é tendencioso por excelência)
Créditos da imagem: http://blogdomangabeira.zip.net/ através do: http://brasiliaeuvi.wordpress.com/


