domingo, 29 de novembro de 2009

Imaginação versus Razão


O eterno confronto entre a fantasia e a racionalidade é o que permeia o ótimo filme “As aventuras do Barão de Munchausen” dirigido por Terry Gillian.

No filme o Barão, interpretado por John Neville, conta um de seus feitos, no caso uma de suas mortes, para a plateia de uma peça de teatro sobre sua pessoa. Sua história envolve um cerco à uma cidade, e sua busca por seus antigos ajudantes, para acabar com o cerco, promovido pelos turcos.

O grande vilão do filme, não são os turcos, que vivem em guerra contra a cidade, por que querem “a cabeça do Barão”, mas sim o administrador da cidade, interpretado por Jonathan Pryce, que representa a razão, que crer resolver todos os problemas do mundo, apenas pelos avanços científicos.

O administrador, combate toda a fantasia que o Barão representa, pois a fantasia está muito ligada à religião, e a um tipo de dominação que entra em choque com o domínio da razão, como a dominação tradicional, representada pelo domínio da imaginação, está mais enraizada na cultura da sociedade, a dominação racional precisa buscar seu espaço para imperar.

Os benefícios que a razão possui em relação ao misticismo, caem por água a baixo, já que ela é obrigada a agir como uma sociedade mística age, negando a razão, para não perder seu poder, e assim a razão passa a ser um mero dogma, ganhando aspectos fanáticos semelhantes a uma religião.

Seja os poucos detentores do saber (caráter aristocrático, pouco detém e irradiam o saber), seus templos (universidade e escolas), a ciência impera tornando o mundo desesperado e sem esperança de mudanças, perdendo seu caráter de inovação e melhorias que pode levar ao mundo.

O filme não apela para que a fantasia deva imperar no mundo, muito pelo contrário, o filme passa a mensagem de que tanto a fantasia em demasia, como a razão seja evitadas, pois o império de uma coisa sobre a outra não representa melhorias, mas um desequilíbrio, que leva a alienação da realidade tanto de um lado como o de outro. É preciso um equilíbrio tanto entre a razão, como da fantasia para haver uma melhoria no mundo.

As aventuras do Barão de Munchausen (The Adventures of Baron Munchausen, Inglaterra, Alemanha Ocidental – 1988)

Direção: Terry Gillian.

Roteiro: Terry Gillian e Charles McKeown.

Elenco: John Neville, Eric Idle, Sarah Polley, Oliver Reed, Charles McKeown, Jonathan Pryce, Uma Thurman.

João Vicente Nascimento Lins 29/11/2009


sábado, 28 de novembro de 2009

Quem é de direita pode ser corrupto

Enquanto ainda tentamos entender o caso de corrupção no governo do Distrito Federal, fica mais latente a política de dois pesos e duas medidas, adotada pela grande imprensa nacional.

Caso fosse um governador do PT, ou mesmo da base aliada, Cansei, OAB, Globo, Folha, Estadão e Veja, estariam na porta do palácio do governo, pedindo a cabeça do governador e do Presidente também.

A imprensa brasileira deixou de fazer um jornalismo sério e investigativo (papel de uma imprensa mesmo) há muito tempo (se é que algum dia chegou a fazer algo responsável). No governo Lula, esse descaso com a realidade chegou a níveis alarmantes, parece ser vontade de setores da burguesia, prender Lula, mata-lo, e esquarteja-lo e botar um pedaço do corpo em cada parte do país, para lembrar o que ocorre quando um pobre chega ao poder, e a imprensa compra essa vontade e a segue religiosamente.

Essa política de dois pesos e duas medidas, pode ser vista nesse caso de corrupção no Distrito Federal, caso o governador Arruda fosse do PT, já teria sido forçado a renunciar. Como é do Democratas, já vi em um site que peritos “estavam analisando a veracidade das provas”. O caso do filho que Renan Calheiros teve fora do casamento, e que a pensão era paga por uma empreiteira, pois bem FHC assumiu um filho que todo mundo já sabia que era dele, e nem por isso a Veja fez 50 capas da revista sobre o assunto, pois bem, fica aqui a pergunta, quem pagava a pensão do filho do FHC? A Rede Globo?

Com o filme do Lula é a mesma coisa, a grande imprensa fala que o filme é uma manobra eleitoreira, e que só serviu para desviar dinheiro, me pergunto se o mesmo ocorreu com o cineasta Oliver Stone, ao fazer um filme sobre Richard Nixon, ou mesmo sobre o Juninho.

Lula é um líder popular, uma figura pública, sua história de vida, pela importância que possui para a história do Brasil, não só como presidente, deve ser retratada em película. Mas como tudo que ocorre é culpa do Lula, o UOL publica uma reportagem falando sobre um filme feito, sobre um dos feitos de FHC, a criação do Cebrap, exaltando a presença de intelectuais, e botando o documentário, como um filme verdadeiro, enquanto diminui sempre o filme sobre a vida de Lula.

Caso tivesse intelectuais assistindo a estreia do filme de Lula, eles seriam chamados de esquerdopatas antidemocráticos, beira o ridículo essa política de dois pesos, duas medidas.

A impressão que se tem, e a de que Lula só continua no poder até hoje, por que é um bundão que faz alianças com caciques políticos, e pauta seu governo extremamente na ação pragmática, ao invés do radicalismo ideológico, caso radicaliza-se as melhorias à população pobre a lá Chavez, já estaria morto, e esquartejado, com os pedaços do corpo sendo exibidos por todo o país.

João Vicente Nascimento Lins 28/11/2009

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vou me entorpecer defendendo o meu partido

Os partidos políticos hoje em dia, sofrem do mal de ser viciados em uma das piores drogas existentes, o poder, entorpecido que estão com a ideia fixa, de se tomar o Estado, ou caso já tenha ganhado em se manter, fazem alianças escusas, políticas que negam os princípios básicos do próprio partido, e acabam arrastando os movimentos sociais presentes na sua base para esse nefasto vício do poder.

Os movimentos sociais, uma vez ligados aos partidos, acabam tendo que afinar o seu discurso com o da executiva nacional, ao escolher esse caminho, acabam tendo que negar aquilo que eles defendem, imagina o MST por pressão do PT tendo que defender latifúndios improdutivos, e o agronegócio!

Essa luta pelo poder, infiltrou-se até em esferas menores, como DCEs de universidades, levando a tentativas bizarras de abafar seus inimigos, até mesmo aqueles que não são uma ameaça muito grande, negando princípios fundamentais de defesa da democracia que os próprios partidos de esquerda tanto dizem defender.

Não sei dizer se é uma visão romântica deste que vos escreve, mas creio que movimentos sociais precisam defender sempre uma postura de oposição, por mais que a lei na política seja sempre a do pragmatismo, ele precisa manter-se em oposição em relação ao governo, para conseguir avanços em seus objetivos maiores, caso o contrário pode acontecer o que aconteceu com a UNE.

Entorpecida pelas ofertas de cargos comissionados, aquela entidade que diz representar todos os estudantes do Brasil, comprou a briga de defender medidas erradas e oportunistas adotadas pelo governo Lula, para solucionar os problemas estruturais do ensino brasileiro em todos os níveis.

Não vai ser dando bolsa para as pessoas estudarem nas chamadas fábricas de diplomas, que criaremos mão de obra qualificada. No mundo todo, a vanguarda dos avanços científicos, técnicas e patentes, estão no ensino superior PÚBLICO, o dinheiro que é investido em bolsas do prouni, poderia ser utilizado para aumentar, aquele que é um dos melhores programas do Estado brasileiro, a universidade pública e grátis.

A UNE, o que fala disso? Que o PROUNI é um programa que está diminuindo o déficit histórico brasileiro, de mão de obra qualificada. Não por sinal é um discurso parecido com o do governo Lula, o que quase ninguém pensa, é que em muitas universidades públicas, tem surgido mais e mais DCEs, que não por sinal, ficam nas mãos da UNE.

A UNE passou a defender um discurso de negar qualquer oposição às suas ideias, e achar que ela representa todos os estudantes só por que participa do MEC. Defende o PT e por isso acaba fazendo com que suas células defendam as alianças escusas que o governo Lula fez para poder governar.

Quando o movimento estudantil senta na mesa que um governador do PMDB está, não precisa ter ensino fundamental, para perceber que alguma coisa está errada, o exemplo da UNE, é somente o mais acabado da partidarização que os movimentos sociais vivem, suas consequências têm contribuído, para uma alienação extremada dentro das universidades por parte dos estudantes, por isso é preciso a dar um basta a essa partidarização, a democracia agradece.

João Vicente Nascimento Lins 27/11/2009

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Escreveu e não leu, o pau comeu

Se existiu alguma coisa, que os 8 nefastos anos do Juninho a frente da Casa Branca, ensinou, é a de que a diplomacia caminhava para virar uma arte política esquecida. Com a sua política de atacar primeiro e dialogar depois, ele finalmente traduziu o pensamento predominante dos institutos de estudos internacionais dos EUA, a de que o país deveria dominar todo o mundo não importasse quem fosse.

Esse pessoal, que criava o pensamento ideológico dos principais membros do partido republicano, são os chamados New Conservatives, ou Neocons. Na sua maior parte são ex. membros da esquerda, que em troca de vantagens econômicas e pessoais (suas ideias disseminaram-se e ainda hoje entram em milhares de lares estadunidenses), decidiram defender o discurso conservador, lutando contra abortos, imigrantes, mulçumanos e o que mais atraísse os votos dos protestantes fundamentalistas brancos dos EUA.

Os Neocons foram defensores ferrenhos do modelo econômico (fantasiado de ideologia política) conhecido como neoliberalismo, e que por pressão do próprio EUA, disseminou-se por todo o mundo, aumentando a concentração de renda nas mãos dos mais ricos, e deixando os pobres mais pobres.

Acontece que a ideia de pensadores conservadores, que falam nos principais jornais do país, aquilo que a burguesia quer ouvir, ganhou aqui no Brasil vários adeptos, e nos últimos anos somos obrigados a ver colunistas da grande imprensa, defendendo absurdos, como fim da intervenção do Estado na economia, que o Brasil não é um país racista, que Bush fez bem a declarar guerra contra o islamismo, e por aí vai.

Nessa semana, fomos premiados novamente com nossos neocons fazendo barulho e reproduzindo o discurso de seus irmãos do primeiro mundo. Foi durante a tão comentada visita, do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, essa semana ao Brasil.

Os neocons, acompanhados do equivalente ao partido republicano aqui, o PSDB-DEM, protestaram, espernearam, sapecaram, e principalmente, só falaram o que seus pares estadunidenses vivem a falar, que o iraniano é o novo Hitler, a encarnação do mal, um ditador que massacra a população, daí para coisas mais baixas.

Mahmoud Ahmadinejad é o presidente da nação soberana do Irã, uma republica que vive sobre os preceitos da lei islâmica, mas ainda sim uma república, é um país, reconhecido pela comunidade internacional, a mesma comunidade que dá o direito ao país de escolher a forma de governo que a população achar melhor (ou a elite do país decidir), de fazer valer suas leis para todos, e óbivio de criar leis.

Como chefe de Estado (dizem que eleito pelo voto popular), ele tem o direito de fazer as políticas que de fato forem melhores para a sua população. Como muito do ódio que os EUA possuem do Irã é proveniente do país possuir uma das maiores reservas de petróleo do mundo nas mãos de uma estatal, defender a ditadura dos ayatollahs, através da diplomacia atômica, é a única opção para o Irã, de ficar livre de todos os malefícios que o livre mercado pode levar ao país.

O presidente iraniano é mera figura, seu poder é diminuto, suas decisões são subordinadas aos ayatollahs, ele é apenas a face pública do poder no Irã, que de fato é a ditadura, que viola os direitos humanos (e Arábia Saudita?) e merece ser varrida do mapa são os líderes religiosos do país, Ahmadinejad é um mero laranja.

Mas como dito anteriormente, ele foi eleito por sua população, assim como Lula, e ambos como líderes de Estado, possuem as prerrogativas constitucionais de ambos os países para fazer aquilo que for melhor atender sua população, se Lula quiser mediar a paz entre EUA e Irã, melhor para a população do Irã, que ver-se livre de um nefasto bloqueio que existe no país, de produtos estadunidenses, a população dos EUA ganha, por poder manter seu alto consumo de petróleo, e a chance de ter contato com algo que restou de uma das culturas históricas mais ricas do mundo, a persa. E no final ganharia até o Brasil, pois sendo artífice de um acordo de paz, o prestigio internacional do país vai até a estratosfera.

Por tanto deixem de ler a grande imprensa, que só quer saber de defender os interesses das industria petrolíferas americanas, e passem a compreender um pouco os intricados jogos de interesses existentes por trás dos ataques ao governo iraniano, antes de marchar contra o presidente iraniano só por que ele nega o holocausto, vivemos num mundo livre, e isso pressupõe até o direito dele, de poder negar esse acontecimento histórico, como diz o ditado: “escreveu, não leu? O pau comeu”, quer defender a liberdade, vai ter que conviver com as opiniões contrárias à sua.

João Vicente Nascimento Lins 26/11/2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Parafraseando de novo

Caso confirme-se a chapa PT-PMDB, Lula pode adicionar mais uma façanha para o seu governo, o de fazer o maior partido do país, a famigerada puta, que sempre vai para o lado de quem pagar mais, também conhecida pela sigla PMDB, compor uma chapa presidencial, e demonstrar aquilo que todo mundo que entende de política sabe, quem de fato manda no país é o PMDB.

Por conta de seu tamanho e de suas inúmeras facções, o PMDB não lança candidato majoritário à presidência desde 1989, aprendeu a assistir as eleições e ver para onde o jogo político o levará, foi assim quando apoiou o Collor, foi assim quando apoio o governo FHC, foi assim quando apoio o governo Lula, e será assim sempre.

Você pode até governar um país sem o apoio do PMDB, mas só consegue legislar se comprar o pacote de serviços do PMDB. Pode não ser lá uma troca muito justa, pois seus quadros são compostos por notórias figuras corruptas, coronéis sanguinários, e outros tipos de criminosos, sua imagem ética é claro morre, mas caso você queira mudar as coisas, de fato é a única maneira “democrática” para isso ser feito.

Lula como o presidente brasileiro mais pragmático de todos os tempos, escolheu esse caminho, tenta comer de todos os lados um pouco, e dessa maneira tem feito seu governo, tentando agradar a gregos e troianos, embora a grande mídia, o porta voz da vontade do eixo Rio-São Paulo, insista em não reconhecer, Lula acabou governando para todo mundo.

Em tempos que a mídia com medo de seu candidato não voltar ao poder, e fazendo terrorismo psicológico, o fato de um governo precisar sempre do PMDB só comprova que de fato o Brasil é uma republica com três poderes, embora os limites de um poder em relação ao outro não sejam identificáveis, é inegável o fato de que o poder do presidente esbarra no partido mais forte do parlamento, e que o judiciário não acata sempre as coisas dos outros poderes.

A mídia tenta transparecer que há uma guerra entre os três poderes, mas no Brasil talvez vivamos o contrário, um tênue equilíbrio, com os poderes funcionando do modo real, já que ambos são compostos por vários setores da sociedade, e que eles acabem defendendo esses setores, isso não é um indicativo de que não somos uma democracia, muito pelo contrário, só demonstra o quão mais democrático[i] o país é.

João Vicente Nascimento Lins 28/10/2009



[i] Nota do autor: o conceito de democracia utilizado aqui é o mais comum, ou seja, democracia representativa burguesa.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Muito Cuidado

Estudantes de universidades públicas, tendem a dar mais importância a instituição de ensino, do que ela de fato talvez mereça, principalmente por que como para a humanas, a universidade venha a ser seu futuro profissional.

Isso é um problema, por que a universidade pública as vezes não precisa ser levada a sério. Diferente do ensino básico, que realmente vem a formar o caráter da pessoa, a universidade hoje em dia só serve para uma coisa: produzir mão de obra qualificada para economias em expansão.

Não pense em você que o projeto pedagógico de uma universidade vá ajudar a revolucionar o mundo, a instituição universidade é conservadora, quer manter a ordem que a mantenha como “o ensino superior”, além de ser uma aristocracia, tudo nela gira em torno de quem tem títulos, se no meio os alunos conseguem algumas migalhas devem e muito é ficarem felizes.

Mas e os cursos de humanas? Eles também formam mão de obra qualificada, afinal um sociólogo durante a graduação aprende o que senão a fazer o básico de uma pesquisa para uma empresa, prefeitura ou ONG?

Um historiador não aprende a fazer pesquisas históricas, que serão utilizadas não só para outras pesquisas, mas para um sociólogo criar um perfil de uma região?

As universidades estão muito superestimadas, há quem ache que dá para fazer revolução social a partir dela, e não consegue ver seu caráter de manutenção da ordem e do Estado. O movimento estudantil, que já é reformista, quando luta para melhorar apenas as condições da universidade onde está inserido se torna ainda mais reformista e defensor do próprio umbigo.

Uma universidade pública hoje em dia é obrigada até a pensar como uma empresa privada, já que o grosso de verba que ela tem acesso para o financiamento de pesquisas, é proveniente justamente de convênio e cooperação com instituições próprias para isso, ou diretamente com as próprias empresas privadas.

Isso faz com que a cobrança de retorno das pesquisas, e patentes proveniente, seja exarcebado, aumentando ainda mais o caráter de produção de mão de obra de uma instituição de ensino superior.

Por isso acho melhor tomar muito cuidado ao imaginar que uma instituição de ensino vá querer servir para outra coisa que não seja a sua manutenção como uma entidade aristocrática e cada vez menos democrática, dentro de uma sociedade que quer ser democrática algum dia.

João Vicente Nascimento Lins 19/10/2009


domingo, 18 de outubro de 2009

Pelo fim da repressão policial contra todas as minorias


Defender o fim da repressão policial em Maringá não ocorre somente por que alguns amigos meus sofreram e muito nas mãos da PM por serem estudantes, mas envolve uma reflexão mais profunda.

Se a PM para tentar restabelecer a ordem, que só estava conturbada por que a PM chegou com violência para cima de dois estudantes, acabou utilizando de violência e considerando desacato a simples menção de filmar a ação, alias diga-se de passagem com o advento de novas tecnologias é direito estabelecido do cidadão poder filmar uma ação da polícia militar. Se até mesmo o governo hoje em dia é fiscalizado, por que uma ação policial não poderia?

Em um momento crítico, onde o Rio de Janeiro vive uma nova onda de violência entre traficantes e policiais, fica a pergunta, se a policia militar, muito inspirada pelo filme Tropa de elite, trata os estudantes de alta renda com truculência, os chamando de “drogados”, sem haver flagrante de drogas, imagina o que eles não fazem com os pobres nas favelas, ou não precisa nem ir muito longe, nos bairros mais carentes de Maringá?

O fato é que a situação de Maringá não pode muito ser comparada com a do Rio de Janeiro. O pouco de história da região que eu tive acesso, demonstra uma “certa” má vontade da elite da cidade, para com as pessoas mais carentes. Maringá possui sem dúvida uma área de alta renda, que faz com que os preços de terrenos sejam muito elevados, o que leva a pressões para acabar com os poucos entroncamentos de baixa renda próximos das áreas mais ricas.

Essa segregação que tenta se fazer é natural de qualquer cidade, afinal especulação imobiliária é um mal da economia capitalista e faz parte das bases que ordenam a desigualdade na sociedade. Mas não deixa de causar espanto, essa vontade das populações mais ricas de expulsar os pobres, para o mais longe possível de suas vistas.

São Paulo vive um problema parecido, a favela de Paraisópolis foi invadida no início do ano pela Polícia Militar, com o suposto motivo de expulsar o tráfico de drogas da região. Acontece que a favela localiza-se ao lado do bairro do Morumbi, que vive um momento de alta do mercado imobiliário, e com isso a necessidade de expansão do bairro choca-se com a favela, surgida para servir de moradia para os empregados que trabalhavam nas mansões do bairro vizinho.

Isso para comparar com algo conhecido. A sociedade maringaense no alto de sua hipocrisia, acha-se no direito de recusar os estudantes provenientes de outros estados, e sua injeção de dinheiro na economia do município, incitando até as camadas mais baixas contra os estudantes, com a desculpa de que roubamos as vagas que de direito seriam dos moradores da região.

Só por que a economia de sua cidade vive um crescimento, não quer dizer que um contingente de uns 10 mil consumidores seja desprezível. Ele possui um peso, principalmente em momentos de crise mundial (embora a crise não tenha afetado muito o Brasil).

A elite burguesa da cidade, acha-se no direito de combater as minorias que ela odeia, utilizando a polícia militar da forma que ela acha mais conveniente. Por isso a necessidade de se criar um movimento que combata a repressão policial, mas um movimento não só encabeçado pelos estudantes, mas também por aqueles que sofrem um preconceito maior do que o nosso, os pobres, que são tratados como “reles mão de obra sem direito algum, e que deveriam morar o mais longe possível do paraíso dos ricos, Maringá”.

João Vicente Nascimento Lins 18/10/2009