terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A esquerda existe nos EUA


01 de Dezembro de 2010      
ESTADOS UNIDOS
A esquerda existe nos EUA
A esquerda estadunidense continua viva, tanto no interior como do lado de fora do sistema bipartidário. Mas está dividida: enquanto uma parte organizou o Fórum Social Mundial de Detroit, outra protestou contra os conservadores em Washington
por Rick Fantasia
Ainda existe uma oposição de esquerda nos Estados Unidos? Obrigado a ir cada vez mais à direita pela concorrência do “Tea Party”, o Partido Republicano procura eliminar seus últimos elementos moderados. Já o Partido Democrata, mais propenso a renunciar do que a combater, assiste ao crescimento em  própria estrutura de uma corrente conservadora, enquanto a sua ala progressista tem as mãos atadas pelas pressões do sistema financeiro. Então, aonde foi parar a esquerda?
Ela continua viva, tanto no interior como do lado de fora do sistema bipartidário. Mas, na realidade, existem duas esquerdas nos Estados Unidos.
Uma delas é a que esteve em junho passado no Fórum Social de Detroit, no Michigan, onde 15 mil militantes vindos do país inteiro se reuniram durante cinco dias para “reavivar o espírito dos fóruns sociais mundiais”, “consolidar os laços entre os movimentos” e “aprofundar a solidariedade internacional e a luta comum”.
Embora nem todos esses objetivos talvez tenham sido alcançados, o evento conseguiu colorir um pouco as ruas desoladoras de Detroit com uma passeata de 10 mil em seu último dia. Ele também ofereceu a um número considerável de pequenas organizações sindicais oportunidades para confrontar suas experiências. Dentre essas, estavam presentes o Congresso dos Trabalhadores Excluídos, a Aliança dos Trabalhadores Domésticos, a Aliança dos Motoristas de Táxis, a Aliança dos Trabalhadores Imigrantes e a Rede Sindical dos Operários da Festa Nacional, além de grupos de trabalhadores agrícolas e de assalariados de hotéis e restaurantes. Nas 30 assembleias populares que foram realizadas no decorrer do fórum, centenas de operários relataram a brutalidade das suas condições de vida e de trabalho.
A esquerda representada em Detroit existe no mundo inteiro, exceto por um pequeno detalhe que faz toda a diferença: nos Estados Unidos, ela é escrupulosamente mantida afastada do debate político. Nenhum dos grandes veículos de comunicação estadunidenses sequer mencionou a existência do Fórum Social de Detroit, ao passo que durante mais de dois meses eles dedicaram uma cobertura intensiva a toda e qualquer reunião do “Tea Party”.
Contudo, o caráter marginal dessa esquerda específica não se deve apenas ao cordão sanitário que lhe é imposto pelo sistema político e midiático. Já que o Fórum estava sendo realizado em Detroit, o berço histórico da indústria automobilística, poderíamos nos perguntar por onde andaram os operários desse setor naquele momento. É verdade, o número de assalariados da indústria automobilística diminuiu de maneira drástica nos últimos anos, mas, no Michigan, ainda há 50 mil deles em atividade, sem contar os aposentados, avaliados em 128 mil. Contudo, não havia sinal algum da presença de operários da Ford ou da General Motors nas dependências do Fórum e nenhuma flâmula sequer simbolizando o UAW (United Auto Workers), o principal sindicato do setor. De fato, todos os grandes sindicatos tradicionais não apareceram.
Vale reconhecer que eles não haviam sido convidados de verdade para essa festa. Nesse contexto, profundamente envolvido com a juventude e a contracultura, o fórum preferiu concentrar suas atenções antes nas grandes problemáticas do meio ambiente e da globalização do que nos operários do setor automobilístico. Nas bancadas de imprensa abarrotadas de pilhas de livros e revistas, aficionados da new age e vendedores de produtos orgânicos vindos da economia solidária rivalizavam com os micropartidos de extrema esquerda e os coletivos de militantes de todas as tendências.  O mundo do trabalho foi representado majoritariamente pelos empregados pobres e precários da indústria de serviços, a maior parte dos quais era de negros, latinos e asiáticos. Negligenciado pelas grandes agremiações sindicais, esse “povo no pé da escada social” apareceu aos olhos dos organizadores como um composto fértil apto a revitalizar a esquerda radical.
Mas o que foi feito com os outros assalariados, aqueles que ainda dispõem de um status? E qual sentido pode ser conferido a esse status quando as convenções que o enquadram (emprego estável, reconhecimento do direito sindical, proteções sociais etc.) vêm perdendo todo efeito em consequência dos ataques incessantes dos empregadores? Ao manter uma distinção sempre menos significativa entre precários e estatutários, os responsáveis  pelo fórum talvez tenham dado um tiro no próprio pé.
Com visibilidade
Em outubro, a outra esquerda estadunidense, mais institucional, chamou a atenção por ocasião de uma grande manifestação em Washington. Atendendo à convocação de várias organizações progressistas – dentre as quais a maior confederação sindical do país, a AFL-CIO, a Associação Nacional para a Promoção das Pessoas de Cor (NAACP), o Conselho Nacional de La Raza e o Centro de Ação Nacional Gay e Lésbico (NGLTF) –, cem mil pessoas se reuniram dentro do parque do National Mall e roubaram temporariamente o show do “Tea Party”. Os operários do setor automobilístico dessa vez compareceram em peso. A UAW, o seu sindicato, destacou-se na passeata promovendo uma enxurrada de camisetas e de bandeirinhas da organização.
A multidão ali reunida comportou-se de maneira muito diferente daquela de Detroit. Aqui, ela ficou sossegada, tranquilamente sentada, feliz por conhecer novas pessoas e acompanhou os discursos com uma atenção escrupulosa. Na tribuna do Memorial Lincoln, se sucederam políticos democratas, personalidades midiáticas e dirigentes sindicais, numa coreografia perfeitamente orquestrada que admitia apenas repentes de cólera esporádicos dirigidos exclusivamente aos republicanos, nunca ao capitalismo. Parecia ser preciso evitar a todo custo inflamar as mentes.
Ao longo das últimas décadas, enquanto a sua base enfrentava os fechamentos de usinas, as transferências de sedes para o exterior e as práticas antissindicais do patronato, esses sindicatos e associações se mostraram pouco dispostos a ações ofensivas. Muito ligados ao Partido Democrata, eles frequentaram demais o poder para assumir o risco de um confronto com os seus representantes.
A ampla repercussão com a qual conta essa esquerda institucional não significa, contudo, que aquela do Fórum Social, não marque presença: os grupos que a constituem desempenham um papel não menosprezível em centenas de cidades pelo país afora, desenvolvendo redes ativas e implantando contrapoderes locais.
A força desses movimentos coletivos reside na sua autonomia e numa combatividade imbuída de pragmatismo, que lhes permitem concentrar-se em objetivos precisos e mobilizar uma vasta rede de militantes de horizontes variados. Em contrapartida, o seu ponto fraco vem de que eles limitam excessivamente as suas ambições a combates setoriais desconectados de uma visão social de conjunto. Esse defeito ilustra certa tendência, herdada da Guerra Fria, a desconhecer a realidade das relações entre classes nos Estados Unidos e a contentar-se com uma análise social superficial.
A dificuldade principal das duas esquerdas estadunidenses diz respeito à sua sobrevivência em meio a uma cultura política dominada pelas maiores multinacionais do planeta. Mas, numa certa proporção, a sua fraqueza também pode ser explicada pelos limites das suas próprias perspectivas sociais. Para a primeira, os trabalhadores têm por vocação lutar contra a exclusão, e não contra a exploração; já para a outra, mais vale curtir um piquenique do que lutar...
Palavras chave: EUA, esquerda, Tea Party

Crianças em disputa: o ataque do capital (1)

(6'12'' / 1.42 Mb)  -  Crianças passarão  por um  processo de formação ideológica que moldará  a forma de atuar sobre o mundo.(6'12'' / 1.42 Mb)  -  Nos últimos 10 anos cresceu a preocupação dos técnicos dos governos, dos políticos e do capital sobre a necessidade de se projetar cenários para o futuro. Esta projeção nos mostra como, a classe dominante materializa e projeta para dentro da classe trabalhadora sua ideia de manutenção da ordem. Mas por que as crianças da classe trabalhadora?
Destacaremos 4 pontos introdutórios para o debate.
1.  O futuro exército produtivo
América Latina possui aproximadamente 600 milhões de habitantes. Destes, pouco mais de 27% têm até 14 anos de idade. Se analisarmos as projeções para os próximos 25 anos, este grupo terá entre 25 a 39 anos de idade.
Em 25 anos estas crianças já terão passado por um processo de formação ideológica, cultural e política que moldará em muitos sentidos sua forma de ver e atuar sobre o mundo. Supõe-se que, quanto mais cedo estas crianças forem educadas no projeto da classe dominante menor resistência estas terão, para assumir sua posição periférica na tomada de decisão em seus territórios.
É com base nesta relação formal de educar/adestrar para a venda da força de trabalho, que o capital determina o que é importante que as crianças internalizem: as imagens, as brincadeiras, os princípios e valores do consumismo-individualismo e, a concepção de que se destaque o “melhor” em cada ambiente de convívio social.
Assim se reitera a ideia sobre a melhor escola, o melhor bairro para se viver, a melhor empresa para trabalhar, o melhor sujeito em contraposição aos piores.
2. A formação da consciência
Na formação da consciência burguesa desta futura juventude, não pode haver espaço para questionamentos sobre a ordem.
O capital só materializa sua formação da consciência, caso domine.  O modo de produção dominante consolidou as bases materiais concretas para desenvolver aparatos técnicos científicos  que o permita tirar vantagens de sua posição de classe hegemônica.
Também existe a intenção de aniquilar com o sentido do público enquanto se reitera a força do privado, logo, além da conquista do capital sobre o trabalho, deve-se de uns poucos sujeitos sobre muitos.
E, se ainda é possível visualizarmos a importância dos direitos sociais da nossa constituição na atualidade, a intenção do capital é de trabalhar agora para que no futuro estas bandeiras caiam por terra, na pedagogia do exemplo. 
3. Um exemplo concreto do projeção do capital.
No estado do Espírito Santo existe um projeto do capital que atua neste território denominado ES: 2025. Dita projeção com linhas de ação concretas para os 25 anos elegeu o governador anterior Paulo Hartung como o mais bem votado do País.
A Vale é uma das empresas que atua no Espírito Santo em ação, ONG criada para projetar-executar as linhas de reconstrução do território capixaba.
A empresa faz uma parceria com algumas escolas públicas e leva as crianças dos centros municipais de educação infantil para conhecerem suas instalações. Disponibiliza o ônibus, os instrutores, explica pedagogicamente o processo a ser apreendido, distribui jogos “educativos” de presente, dá lanche e retorna as crianças para a escola e suas famílias com a certeza de que reproduziu, a partir daquele momento, o diferente e belo na vida daqueles futuros trabalhadores.
Esta ação concreta mexe diretamente com a formação da consciência tanto das crianças, quanto de parte dos educadores, incluindo seus familiares. Por quê? Para que as crianças sejam as que:
a) Verão naquela empresa a possibilidade de se empregarem no futuro; b) Desejarão desde já fazer o melhor para serem selecionadas, ou seja, fazerem por onde estar ali; c) Visualizarão um conceito de sustentabilidade dado pela empresa que disfarça o real vivido. No jogo de montar não se vê minério e sim meio ambiente ecologicamente bem sustentado; d) Poderão comparar o que têm e projetar para o que querem para o futuro, a partir do que ali viveram. Isto as remeterá inclusive para uma reflexão individual sobre a situação dos pais, dos  amigos, do bairro, com o fim de ou negarem o que têm, ou reforçarem o que querem para saírem do espaço dos que nada têm.
A Vale projeta, junto com seus pares, um futuro de submissão para estas crianças da classe, cuja aparente certeza de inclusão, se constrói sob as bases dos princípios e valores ditados pelo grande capital.
4.  O que está em jogo afinal?
Está em jogo a manutenção da acumulação de capital centrada na exploração do trabalho, fruto de uma perversa dominação de classe.
Está em jogo o atual consumo da criança associado à inserção futura como trabalhador endividado consciente. Enquanto hoje são os pais os que arcam de forma endividada com o consumo das crianças, amanhã estes trabalhadores já terão internalizado que toda inclusão passa pelo tipo de consumo que são capazes de desejar e realizar.
Está em jogo a formação da consciência de que não existe outro projeto senão o da classe dominante. Talvez esta seja a mensagem mais clara de todas: a de que só resta para o trabalho, trabalhar para consumir e que a acumulação fica como propriedade privada, indiscutível, de quem emprega.
Está em jogo eliminar a disputa, as contradições, e colocar no lugar da divergência um processo de dominação de classe como um projeto único de sociedade.
Isto não é novo na dinâmica de manutenção da hegemonia capitalista. Quiçá as bases técnico-científicas com as quais o capital ora conta, coloquem outros elementos que dificultam ainda mais a clareza dos projetos e processos em disputa.
Economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ ES.
08/02/11
Fonte: Rádio Agência NP

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Abertura do FSM 2011 Dacar Senegal Marcha


Da Tv Carta Maior

Os inimigos ainda são os mesmos


Semana passada o auge dos protestos no Egito coincidiu com a minha leitura do livro “A Doutrina do Choque” da canadense Naomi Klein, fato que me fez temer ainda mais pela Revolução Egípcia.
O livro retrata a disseminação e tomada do poder pela doutrina neoliberal em vários lugares do mundo, mas principalmente em países que deixavam longínquas e violentas ditaduras militares, e em como o FMI e o Banco Mundial, capitaneados pelos EUA obrigavam essas florescentes democracias a adotarem as famigeradas reformas neoliberais (que não por sinal, conseguem trazer mais dor e sofrimento à população do que as ditaduras militares).
A revolta egípcia começou pela combinação explosiva de problemas econômicos sérios (inflação, desemprego, miséria) com os problemas políticos do país (ditadura, com eleições fraudulentas, censura à imprensa e perseguições políticas). Assim a esperança da população nas ruas é de que o fim do reinado de Mubarak traga perspectivas de melhora à suas vidas. Tudo muito belo não fosse o próprio FMI já ter se oferecido para “ajudar” na recuperação econômica do país após a saída do ditador.
Em bom português “nós oferecemos os empréstimos para ajudar na recuperação econômica, em contra partida você vendem toda a maquina publica à corporações estadunidenses”. Foi assim para todo o terceiro mundo nos anos 90, está sendo assim até mesmo para alguns países europeus. Se em 2008 houve na esquerda quem pensou que o neoliberalismo havia morrido com a crise do subprime, ledo engano, ele está aí até mais forte do que antes.
Mubarak não deve ter renunciado ainda por que os EUA não abrem mão de seu fantoche, enquanto não surgir uma lei que prenda o próximo governo egípcio a fazer as reformas neoliberais. Ou alguém acha que Mohamed El Baradei está no Egito fazendo a ponte entre a oposição e o atual governo apenas por vontade própria?
Levantes como o do Egito devem servir de inspiração para a juventude de todo o mundo, o twitter não é um meio de se fazer revolução, ele é sim uma grande arma para se atingir tal ato, que a cenas na Praça Tahir se disseminem pelas praças de todo o mundo, exigindo ao mesmo tempo aquele velho bordão dos anos 90 “ABAIXO O FMI”!!!
João Vicente Nascimento Lins 07/02/2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Força Egito

Ao povo Egípcio, força nessa hora histórica.
A charge como sempre é do monumental Carlos Latuff

Bênção Padrinho


A cada dois o Brasil fica refém de uma eleição, não digo as eleições majoritárias para prefeitos, governadores e presidente, mas sim uma eleição mais sutil, obviamente estou falando da eleição para presidente do senado e da câmara federal.
A população brasileira optou pela forma e pelo regime de governo brasileiro via plebiscito, correu-se o risco do país tornar-se uma monarquia parlamentarista, isso por que o referendo realizou-se em um dos momentos chaves da história recente brasileira o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello.
Prevaleceu o presidencialismo, mas não qualquer tipo de presidencialismo, Collor não caiu pelos seus atos de corrupção e pelo confisco das poupanças, isso foi o catalisador, ele caiu, por não saber articular-se para manter do seu lado no governo o PMDB, e os outros tanto partidos existentes até aquele momento.
E apesar da escolha pelo presidencialismo, a classe política nacional dava um recado que ecoa até hoje, o presidente não governa se não barganhar ministérios e as poucas estatais restantes. Em resumo o presidente é obrigado a abrir mão de cargos para agradar os políticos dos mais diversos partidos, em resumo o regime de governo acaba por ser um presidencialismo misto que lembra muito mais um parlamentarismo.
Num país parlamentarista, o grosso da máquina pública é dividido pelos membros do partido que tem mais cadeiras, ou pelos partidos da coalizão, nessa situação sobra espaço até para que técnicos assumam pastas importantes, mas mesmo em lugares como a Inglaterra ou a França o perfil político conta mais do que o conhecimento técnico do ministro.
O Brasil vive a mesma situação, mesmo sem um artigo na constituição para mandar que seja desse jeito, se no começo do governo o presidente não for pedir benção à Sarney e Michel Temer, precisa torcer para não perder o poder. O estilo parlamentarista já se dissemina para outros partidos, o governo Dilma precisou costurar uma ampla aliança, vendendo postos ministeriais para agradar todos os aliados.
E a solução para isso não passa por uma reforma política que transforme o país em bipartidário, passa pelo fortalecimento dos partidos, tirando sua polaridade de figuras carismáticas e conhecidas, ou dos famigerados caciques (é uma clara situação de que o buraco é sempre mais embaixo, mesmo fortalecendo os partidos, as contradições da realidade farão com que os problemas continuem ou se agravem, somente o fim da política como a conhecemos pode mudar alguma coisa).
Enquanto isso não ocorrer, pode Jesus Cristo voltar, se tornar presidente do Brasil, que mesmo ele precisará dar cargos ao PMDB. Esse parlamentarismo é um mais uma das estruturas que impedem que mudanças estruturais sejam impostas por governantes no país, essa prática torna de fato caciques políticos mais poderosos que o próprio presidente, ou alguém acha que Sarney não se candidata mais ao cargo máximo da república por que ele tem medo de perder?
João Vicente Nascimento Lins 04/02/2011